COPAS DO MUNDO DE FUTEBOL: BREVE HISTÓRICODesde sua fundação, em 1904, a Fifa idealiza a realização de um torneio mundial de seleções. Vários congressos são realizados nesse período, mas não se chega a nenhuma definição. Apenas na década de 1920 os entendimentos avançam, e em 1927 acerta-se a realização da Copa do Mundo em 1930. Seis países se oferecem para sediar o encontro: Espanha, Holanda, Hungria, Itália, Suécia e Uruguai. A escolha é feita no ano seguinte, durante a disputa das Olimpíadas de Amsterdã. Então campeão olímpico, o Uruguai é escolhido para receber o primeiro torneio mundial de futebol. Dias depois, conquistaria o bicampeonato olímpico.
Copa de 1930 – Treze seleções atendem ao convite da Fifa e da Associação Uruguaia de Futebol e participam da primeira Copa do Mundo. Apenas quatro seleções são européias: França, Iugoslávia, Romênia e Bélgica – as demais alegam impossibilidade de viajar de navio por cerca de um mês para disputar o torneio. Os 18 jogos, de 13 a 30 de julho, são disputados na capital Montevidéu. Os donos da casa conquistam o primeiro título mundial da história ao vencer a Argentina por 4 a 2, de virada. O argentino Stabile, autor de um dos gols na final, é o artilheiro da competição, com oito gols. O Brasil, por causa de brigas entre os dirigentes, deixa de contar com 14 jogadores que atuam no futebol paulista, e acaba eliminado na primeira fase, terminando na sexta colocação.
Copa de 1934 – A segunda Copa do Mundo é realizada na Itália, governada por Benito Mussolini, de 27 de maio a 10 de julho. Pela primeira vez são disputadas Eliminatórias para definir os 16 participantes. O Uruguai não participa, em represália à ausência maciça dos europeus quatro anos antes. A Copa é disputada em eliminatória simples. Os italianos são campeões numa difícil decisão contra a Tchecoslováquia. Os 55 mil torcedores que lotavam o Estádio Nacional do Partido Fascista, em Roma – entre eles Mussolini –, só comemoram o título após 120 minutos de jogo, com a vitória por 2 a 1, de virada. O checo Nejedly termina como artilheiro, com cinco gols. O Brasil mais uma vez é prejudicado pelas brigas internas. Sem vários jogadores que se haviam profissionalizado no ano anterior, a seleção, oficialmente ainda "amadora", perde para a Espanha por 3 a 1, logo na estréia, e é eliminada, amargando o 14º lugar.
Copa de 1938 – A França organiza a primeira Copa em que o país-sede e o atual campeão se classificam automaticamente. O número de participantes cai para 15 após a anexação da Áustria pela Alemanha, em março de 1938. A Inglaterra rejeita o convite para ocupar o lugar dos austríacos e a Suécia, que seria adversária da Áustria, garante vaga automaticamente nas quartas-de-final. A Copa é realizada de 4 a 19 de junho. A favorita Itália conquista o bicampeonato com uma vitória por 4 a 2 sobre a Hungria. Na véspera da final, os jogadores recebem de Mussolini um telegrama com a frase "Vencer ou morrer". O Brasil pela primeira vez manda seu melhor time a um Mundial, e chega às semifinais, onde é superado pela Itália por 2 a 1, graças a um pênalti controvertido de Domingos da Guia em Piola (o brasileiro revidara uma agressão). A vitória de 4 a 2 sobre a Suécia dá ao Brasil o terceiro lugar. O brasileiro Leônidas da Silva é o artilheiro, com oito gols.
Copa de 1950 – O Brasil sedia a primeira Copa após a II Guerra Mundial, e constrói para a festa o Maracanã, maior estádio do mundo. Após a definição dos 16 classificados nas Eliminatórias, três países desistem e o torneio é disputado por apenas 13 seleções, de 24 de junho a 16 de julho. A atração é a Inglaterra, inventora do futebol, que pela primeira vez aceita medir forças com outras seleções. Para o quadrangular final, classificam-se Brasil, Uruguai, Suécia e Espanha. O Brasil estréia com goleada de 7 a 1 sobre a Suécia, enquanto os uruguaios empatam com a Espanha por 2 a 2. Na segunda rodada, os espanhóis também são goleados pelo Brasil, 6 a 1, enquanto o Uruguai derrota a Suécia por 3 a 2. Na final, contra os uruguaios, o Brasil tem a vantagem do empate, sai na frente, mas os uruguaios viram o jogo. A vitória por 2 a 1 dá o bicampeonato ao Uruguai. O fiasco do time brasileiro, apontado como favorito por toda a torcida, fica conhecido como "Maracanazzo". Resta o consolo de ter o artilheiro, Ademir de Menezes, com nove gols.
Copa de 1954 – A Copa é realizada na Suíça, de 16 de junho a 4 de julho. Quem brilha é a seleção da Hungria, que dois anos antes havia sido campeã olímpica. Mas o título acaba com a Alemanha Ocidental, que na fase de classificação, com um time reserva, é goleada por 8 a 3 pelos húngaros. Na decisão, a Hungria sai na frente, com dois gols em oito minutos. A Alemanha, mais forte fisicamente, reage e consegue a virada, fechando a decisão em 3 a 2. O húngaro Kocsis termina como artilheiro, com 11 gols. O Brasil faz campanha apenas regular, na primeira Copa em que disputa Eliminatórias e que joga com a camisa amarela – a branca usada antes fora aposentada após o "Maracanazzo" de 1950. O time estréia, goleia o México por 5 a 0 e empata por 1 a 1 com a Iugoslávia. Na fase eliminatória, não resiste ao belo futebol dos húngaros – perde por 4 a 2 e acaba em sexto lugar.
Copa de 1958 – Pela primeira vez, os habitantes do país-sede, a Suécia, podem assistir aos jogos ao vivo pela TV. A Copa é disputada de 8 a 29 de junho. O Brasil é campeão pela primeira vez, sob o comando de Pelé e Garrincha, gênios que haviam começado a competição no banco de reservas. O jogo mais difícil da seleção é contra o retrancado time de País de Gales, nas quartas-de-final: 1 a 0, com gol de Pelé no segundo tempo. Nas semifinais, a forte seleção da França, famosa por seu poder ofensivo, é goleada por 5 a 2, naquela que é considerada a final antecipada. Na decisão de fato, com camisas azuis, o Brasil goleia a Suécia, também por 5 a 2. O francês Fontaine termina a competição com 13 gols, tornando-se até hoje o maior artilheiro em uma edição de Copa do Mundo.
Copa de 1962 – O Chile, país-sede, é atingido dois anos antes por um forte terremoto, de 8,3 graus na escala Richter. A Fifa estuda a mudança de sede, mas recua graças à mobilização do povo chileno. A Copa é disputada de 31 de maio a 19 de junho. Pela última vez, a Fifa permite que um jogador que já tenha atuado por uma seleção possa defender outro país. A Itália escala o brasileiro Mazzola, campeão do mundo quatro anos antes, e a Espanha convoca Puskas, ídolo da Hungria que encantara o planeta em 1954. O Brasil confirma o favoritismo e conquista o bicampeonato, mesmo sem Pelé, que se contunde no empate em 0 a 0 com a Tchecoslováquia, na segunda partida. Na fase decisiva, Garrincha brilha por si próprio e pelo ausente Pelé. Marca quatro gols nos jogos contra Inglaterra e Chile e, mesmo gripado na decisão, contra a Tchecoslováquia, ajuda a prender a marcação adversária. O Brasil é bicampeão ao vencer por 3 a 1. O iugoslavo Jerkovic termina como artilheiro da Copa, com cinco gols.
Copa de 1966 – A Inglaterra joga em casa e se torna campeã mundial pela primeira vez, na Copa disputada de 11 a 30 de julho. A conquista é cercada de polêmica, desde as quartas-de-final, quando o time vence a Argentina por 1 a 0 – o capitão argentino, Rattín, é expulso e sai de campo fazendo com as mãos o sinal de roubo, em frente ao camarote da Rainha Elizabeth II. Na decisão, os ingleses vencem a Alemanha Ocidental por 4 a 2, na prorrogação – no terceiro gol inglês, marcado por Hurst, a bola bate no travessão e cai fora da meta, mas o juiz valida o gol. O moçambicano Eusébio, que defendia a seleção de Portugal, é o artilheiro da Copa, com nove gols. O Brasil dá vexame e cai na primeira fase. A vitória por 2 a 0 sobre a Bulgária, na estréia, marca a última partida de Pelé e Garrincha juntos pela seleção.
Copa de 1970 – A Copa é realizada no México, de 31 de maio a 16 de junho, com a estréia dos cartões amarelo e vermelho e das substituições de jogadores, até então proibidas em partidas oficiais. Pela primeira vez, o Brasil acompanha os jogos ao vivo, via satélite – ainda, porém, em preto-e-branco. O Brasil se recupera do fiasco de quatro anos antes e conquista o tricampeonato com a melhor campanha vista até então: seis jogos, seis vitórias. Nas semifinais, vinte anos depois do "Maracanazzo", o Brasil se vinga do Uruguai, vencendo por 3 a 1, de virada. Na decisão contra a Itália, o Brasil goleia por 4 a 1 e assegura a posse definitiva da Taça Jules Rimet, por ser a primeira seleção a conquistar três vezes a Copa do Mundo. O alemão Müller é o artilheiro, com dez gols.
Copa de 1974 – Na Alemanha Ocidental, entra em disputa a Copa Fifa, em substituição à Jules Rimet conquistada pelo Brasil. Pela primeira vez, o país-sede oferece o direito de abrir a Copa do Mundo para o atual campeão. A Copa é disputada de 13 de junho a 7 de julho. Em campo, a Holanda mostra o melhor futebol, mas o título fica com a Alemanha Ocidental. Assim como vinte anos antes, os alemães ocidentais conquistam o título com uma derrota, 1 a 0 diante da Alemanha Oriental, na primeira fase. Na decisão, contra os holandeses, o time da casa mostra paciência: sai atrás no marcador, após sofrer um gol de pênalti logo no primeiro minuto, e consegue a virada ainda no primeiro tempo. O Brasil, sem Pelé, decepciona. Sofre para se classificar para a segunda fase e pára na força da Holanda. Derrotado por 1 a 0 pela Polônia, fica em quarto lugar. O polonês Lato é o artilheiro da Copa, com sete gols.
Copa de 1978 – A Argentina sedia a Copa do Mundo, de 1o a 25 de junho, e conquista o título sob a sombra das pressões do regime militar que governava o país na época. Consegue a vaga para a final ao golear o Peru por 6 a 0 – era necessário golear os peruanos por pelo menos quatro gols de diferença. Como goleiro, o Peru escala Quiroga, argentino de nascimento. Surge a suspeita de suborno, jamais confirmada. Horas antes, o Brasil vencera a Polônia por 3 a 1. Na decisão, contra uma Holanda que não repetia o brilho da Copa anterior, a Argentina vence por 3 a 1, na prorrogação, e leva o título. O atacante Kempes marca duas vezes na decisão e se torna o artilheiro da Copa, com seis gols. O Brasil termina em terceiro lugar, invicto, o que leva o técnico Cláudio Coutinho a proclamar a seleção "campeã moral".
Copa de 1982 – Na Copa da Espanha, a Fifa aumenta o número de participantes para 24 seleções, atendendo a pedidos dos continentes de menos tradição. Com isso, o número de jogos aumenta de 38 para 52, e a duração da Copa chega a quase um mês – de 13 de junho a 11 de julho. A Itália conquista o tricampeonato, depois de um início irregular: na primeira fase, obtém três empates e elimina Camarões por ter marcado um gol a mais. Seu futebol começa a aparecer na segunda fase, quando vence a Argentina por 2 a 1 e elimina o Brasil, até então a seleção mais brilhante da Copa, com uma vitória por 3 a 2. Garante o título ao bater por 3 a 1 a Alemanha Ocidental, que, nas semifinais, derrotara a França na primeira disputa por pênaltis da história das Copas. O atacante Paolo Rossi, autor dos três gols na vitória contra o Brasil, é o artilheiro do Mundial, com seis gols. A seleção brasileira mostra o futebol mais vistoso, mas acaba apenas na quinta posição.
Copa de 1986 – A Colômbia, que fora escolhida sede na década de 1970, abdica da organização em 1982. O México é escolhido como sede – pela primeira vez um país recebe a Copa pela segunda vez. A Argentina conquista o bicampeonato com campanha quase perfeita. A partir das quartas-de-final, brilha a estrela de Maradona, que marca duas vezes na vitória de 2 a 1 contra a Inglaterra – uma com a mão, no gol que ele diria, anos depois, ter marcado com "a mão de Deus", e outro após driblar meio time adversário desde seu próprio campo. Na decisão, a Argentina derrota a Alemanha Ocidental por 3 a 2. O Brasil começa bem a competição, vencendo seus quatro primeiros jogos, mas não passa pela França, nas quartas-de-final. O jogo termina empatado em 1 a 1 após 120 minutos. Nos pênaltis, os franceses vencem por 4 a 3 e ficam com a vaga nas semifinais, deixando o Brasil novamente na quinta colocação.
Copa de 1990 – Após 56 anos, a Itália volta a sediar a Copa do Mundo, e se apresenta como favorita, mas o título acaba com a Alemanha Ocidental, que conquista o tricampeonato na última Copa antes da reunificação. Os alemães mostram um futebol eficiente, mas sem muito brilho. É um símbolo da Copa, que tem a menor média de gols de todas as Copas – 2,21 tentos por partida. Na decisão, os alemães vencem a Argentina por 1 a 0, gol de pênalti marcado por Brehme – pela primeira vez, uma final de Copa não tem as duas seleções marcando gols. A Itália fica apenas com o terceiro lugar, após ser eliminada pela Argentina nas semifinais, na disputa de pênaltis. O atacante italiano Schilacci termina como artilheiro, com seis gols. O Brasil obtém três vitórias pouco convincentes na primeira fase, contra Suécia (2 a 1), Costa Rica (1 a 0) e Escócia (1 a 0). Nas oitavas-de-final, é eliminado pela Argentina, que vence por 1 a 0. Após a partida, o lateral Branco declara ter bebido água "de gosto estranho" oferecida pelo massagista argentino. No início de 2005, o caso volta à tona e a CBF pede à Fifa que investigue eventuais irregularidades ocorridas na partida.
Copa de 1994 – A Copa é disputada nos Estados Unidos, num novo esforço da Fifa para popularizar o futebol no país mais rico do mundo. A amplitude territorial do país e a realização dos jogos no início da tarde, sob forte calor, para privilegiar as transmissões de televisão na Europa, viram alvo de críticas de jogadores e técnicos. O Brasil torna-se a primeira seleção a conquistar quatro vezes a Copa do Mundo. Na primeira fase, vence a Rússia por 2 a 0 e Camarões por 3 a 0, antes de empatar por 1 a 1 com a Suécia. Nas oitavas-de-final, derrota a seleção dos Estados Unidos por 1 a 0, em pleno feriado de 4 de Julho, Dia da Independência norte-americana. Bate depois a Holanda, por 3 a 2, e a Suécia, por 1 a 0. Contra a Itália, ocorre o primeiro empate sem gols numa final de Copa do Mundo. Na decisão por pênaltis, o Brasil vence por 3 a 2 e ganha o tetracampeonato. Romário é o destaque da seleção brasileira. O búlgaro Stiochkov e o russo Salenko dividem a artilharia, com seis gols cada um.
Copa de 1998 – A Fifa promove novo inchaço na Copa, aumentando-a para 32 seleções. O número de jogos sobe para 64. A França volta a sediar a Copa do Mundo, sessenta anos depois, e conquista pela primeira vez o título, liderada pelo meia Zidane, que marca dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil, na decisão. Os franceses ganham a Copa invictos, com apenas um empate – nas quartas-de-final, elimina a Itália na disputa de pênaltis –, o melhor ataque (15 gols marcados) e a melhor defesa (2 gols sofridos). O artilheiro é o croata Suker, que, com seis gols, leva sua seleção, estreante em Copas, à terceira colocação. O Brasil tem seu auge nas semifinais, quando derrota a Holanda por 4 a 2, nas penalidades, após empate por 1 a 1 no tempo normal. No dia da final, Ronaldo, destaque do Brasil, sofre uma convulsão horas antes do jogo, mas tem sua participação liberada pelos médicos.
Copa de 2002 – A primeira Copa realizada na Ásia é também a primeira a ser disputada simultaneamente em dois países, Coréia do Sul e Japão. Cada país recebe exatamente metade dos jogos – a abertura é feita em território coreano e a decisão, em japonês. O Brasil ganha o pentacampeonato com campanha perfeita: sete vitórias em sete jogos. Estréia com vitória por 2 a 1 sobre a Turquia. Depois, goleia a estreante China, por 4 a 0, e a Costa Rica, por 5 a 2. Em sua partida mais difícil, derrota a Bélgica por 2 a 0. Nas quartas-de-final, bate a Inglaterra por 2 a 1, de virada. Vence novamente a Turquia, por 1 a 0, e supera na final a Alemanha, por 2 a 0. Ronaldo, autor dos dois gols da decisão, consagra-se artilheiro, com oito gols, e recupera a reputação de craque, após passar mais de dois anos em recuperação por causa de duas cirurgias seguidas no joelho direito.
Copa de 2006 – 32 anos depois a Alemanha é, mais uma vez, a sede da Copa do Mundo. A Itália sagra-se campeã, totalizando 4 títulos mundiais. O Brasil perde para a França nas quartas de finais por 1 a 0.
Copa de 2010 – Pela primeira vez o continente africano recebe uma competição de elevado nível como a Copa do Mundo. A África do Sul será palco do maior evento esportivo do Mundo.
Copa de 2014 – 64 anos depois do “Maracanazzo”, o Brasil será a sede da Copa do Mundo, dois anos antes do Rio de Janeiro sediar as Olimpíadas e Paraolimpíadas.